domingo, 29 de novembro de 2009

Língua decepada.

Sinto um fio de fumaça inodora beijar minha cabeça de baixo pra cima, formando uma máscara pseudo-protetora, com a mesma função dos óculos de sol. E um filete de fumaça entra no meu ouvido em segredo, como uma picada de pernilongo, imperceptível.
Orvalhou em minha cabeça e escorreu pra dentro de minha mente, deixando um rastro de corrosão no caminho.
Gota a gota foi enxendo o seio sob meus olhos, e minha garganta se trancou para não contaminar o resto de meu ser.
Se partiu em dois, cada qual pro seu canto, cada canto sustentando um manto
manto fedido, fofo, com sabor de nata doce.
No manto um lago. Lago onde a água não hidrata todas as célular da planta do pé.
Lança chicotes de água fria que estremece minha lombar, abraça meus pés e não solta mais. Vira gelo. Gelo eterno que contém relíquias sonoras, o ruído do alvorecer do planeta. Guardado em frascos. QUEM VAI QUERER? QUEM VAI QUERER?
É baratinho. Sem esse ruído todas as portas se fecharão pra você. BLAM! Porta! Por que passar pela porta? Eu prefiro rolar por debaixo da catraca, tomando goles de sorriso, goles que enxem meu pote, de iogurte! Iogurte com OITO ANOS DE VALIDADE!
Coalhada! Com álcool, bebida de adulto. Me deixa! Me beija! Não morda a minha voz!
Lavo o seu pé com água fria da cachoeira, lave a minha vida! Me afogue no Tietê! Me afogue... em você! Cárie, lixo, bactéria, ramela, olhos vermelhos... de dor... de emoção... de fumaça!
Pai, minha língua é grande demais! Sempre mordo-a! Sai sangue! Mas não faz casquinha...
Vai um real aí? Vem um real aqui? Não? Tudo bem, eu volto a pé pra casa? Ah, minha casa se incendiou? Eu sei, a culpa foi minha. Devia ter feito cirurgia em meu tumor com as próprias unhas...

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A excentricidade cósmica do alasão humanóide, que ostenta galopes indetermináveis planeta adentro e afora.