quarta-feira, 19 de maio de 2010

A flor branca e roxa se abre, mostrando em segredo a luz
branca fria que ilumina uma atmosfera morna.
Dentro de sua Corola vejo a filha do Universo.
Bochechas que dão vontade de morder, queixo que dá vontade de morder.
Olhar de filha pidona persuadindo o painho. Em contrapartida a pose
de um cisne real equilibra essa menina fedida.
Sobre sua cabeça, uma árvore bem equilibrada. Daquelas majestosas e lindas que estão
há séculos plantadas no mesmo lugar, e que já foi testemunha de cada coisa...
e que abriga um esconderijo sob seus braços. Chamado desejo.
Que em soturno escorrem pelos fios de brisa e levam um aviso ao mundo
de que a maior fonte de risos, amores e paixão ainda remanesce!
Subo as escadas do palácio Czariano, e normalmente meu coração se acelera.
Não sei se pelo exercício físico ou se pelo futuro exercício óptico.
Bato à muralha de madeira, me aprumo o laço de fita azul sobre minha cabeça de papel cintilante, e sorrio.
Um abraço de cima pra baixo. Deixa eu te proteger. Deixa eu te zelar. Vem cá que a mãe vai ver se você chegou bem da escola, se não te machucaram nem nada! Tá com fome? Mamãe da um jeito!
Passo pelo corredor do drive thru do Mc Donalds e chego a uma caixinha almofadada, toda fofa.
Me deito sobre a almofadinha e espero.
Como é bom estar perto.
Me abstenho de palavras, aprecio suas costas como apreciaria o Taj Mahal. Toco, faço carinho.
Mas você diz que o tempo não para, e que eu estou parado, e parando ela.
Eu não quero issoooo. Eu posso viver a minha vida toda como uma pedra no rio que vê todos os peixes nadarem, crescerem e morrerem, pra eu ficar mais sábio e vangloriar o poder do Senhor.
Mas você não!
Vai ser feliz! Nao quero atrapalhar!
Abro um livro e começo a estudar juntamente.
Literatura.
Me senti Ismália querendo a Lua do céu e a Lua do Mar.
O que fazer desse microcosmo?
Três horas de leitura e sorvimento na corrente intelectual vigente em nosso milênio.
Chegou a hora da recompensa. O tchau. Um abraço apertado, demoraaaado. Um cheiro no cangote... um beijo três segundos mais demorado.
Como eu amo esse meu salário.
E a porta se fecha às minhas costas.
E o barulho do trinco troveja que ninguém mais sai e ninguém mais entra.
Olho à minha frente e vejo o labirinto de pedras geladas, o qual eu tanto me chicotiei pra conseguir
chegar ali.
Quarenta e seis degraus. Descendo. Descendo. Descendo.
A mente perdendo o seu fulgor, sua áura, e a porta que leva ao vento gelado.
Mas tudo bem. Posso parecer um romântico idiota apaixonado, mas o que eu estou fazendo é trabalhar para o Âmbar idoso.
Sim, estou trabalhando pra ele. Pois no futuro, com certeza ele falaria: Moleque idiota, fica trancado no quarto, com vergonha! Se ele soubesse que se ele fosse la na porta dela de novo eles se casariam no futuro. Juventude burra.
Então como menino sensato, estou ouvindo a voz da experiência.
Dói. Mas é uma dor de evolução, e espiral àcima meu Pai vai me levando...
e tudo que está em mim que é desse mundo vai sumindo, até um ponto em que nem dê mais pra língua humana depreender o que se acontece aqui dentro. Adeus planeta.

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A excentricidade cósmica do alasão humanóide, que ostenta galopes indetermináveis planeta adentro e afora.