sábado, 22 de maio de 2010

O problema é que.

Enquanto meu coração quer que eu vá à janela, minha mente quase que me ordena a não olhar pra ela mais.
Com a luz do meu quarto apagada, vejo a luz do seu acesa. Partículas da minha alma vão ficando fraquinhas, fraquinhas...
A luz que vem do seu corpo, mesmo que a um quilômetro de distância abalam o meu abstrato de forma concreta. Tudum zambumba clack clack clack. Reforços, reforços. Glóbulos brancos, todos a caminho do coração. Liquidificador verde cintilante, irradie, irradie. Irradie não. Quem já tem próprio socorro não tem o socorro dos outros. Mas é isso mesmo? Talvez. Não sei. Se admito ou não.
Meu rosto repeita o meu espírito. E essa tensão animalesca que me mastiga, não sei se é o sentido da vida ou da morte. Mas me cerca. Uma vala estreita mas que alcança os confins do planeta.
Banho. Tiro minha roupa. Que se vá esse envoltório cinza. Com dor mas vá. Eu acho.
Água morna. Sou covarde. Digo que quero que leve essa energia que está comigo, mas quero sentir a energia do calor da água.
Litros caem da lata de ferro sobre meus olhos, e o fecham. Água, substância inorgânica, sem cheiro, sem gosto e com sabor, desce sem piedade pelo seio da minha face.
Ao mesmo tempo que penso em bater em retirada disso aqui, ensabôo bem minha saboneteira pra deixar aquele cheirinho que você gosta.
Talvez seja melhor tirar esse resto de barba porque você não gosta.
Talvez eu faça bem em tirar esse sorriso dos olhos porque você gosta.
Sou uma contradição. Visto roupa de calor no frio.
Me debruço à janela, e as luzes dos nossos quartos estão acesas, quando eu queria mesmo era que a luz dos dois estivessem apagadas.
O ponteiro do relógio que não tem ponteiro vai pouco a pouco tirando o calor da minha mão.
Eu já sei de tudo, mas não quero saber.
Egocentrismo? Talvez questão de sobrevivência.
O problema é que eu penso demais em você. Enquanto eu deveria meditar, meus neurônios bebem um whisky com uma dose alta de paixão.
E um a um vai se desligando, deixando de se comunicar com os outros, e assim eu vou ficando só. Sozinho.
Quando minha boca chega perto da sua, seus olhos vão bem pra longe, tentando levar com eles o seu sentimento. Talvez culpa. Sei como é isso pois eu passo pela mesma coisa quando é comigo, porque de quem eu gosto mesmo é de você, com queixo de neném e tudo.
Talvez eu esteja em um equívoco agudo, e muito provavelmente estou.
Mas esse suspiro que eu dou dá um alívio aqui dentro, sabe?
E o paradoxo é me sentir amargo e doce ao mesmo tempo, quando estou ao seu lado.
Vou tomar o meu remédio e dormir. Boa noite. Boa vida. Eu você. Não consigo dizer. Me deixa, me faz, esquenta a minha mão. Dorme comigo, me dá abrigo. Me dê um tapa, eu não estou com nada. Me acorda pro sonho. Caí.

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A excentricidade cósmica do alasão humanóide, que ostenta galopes indetermináveis planeta adentro e afora.